segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Touguinha

Touguinha está próxima de Vila do Conde e isso nota-se no movimento de gente e de veículos. O crescimento da freguesia é evidente, sendo mais notório na zona do Monte, quase coberto de modernas e elegantes moradias, ocupadas por pessoas vindas de muitas partes do concelho, com especial incidência nas Caxinas. Foi, inclusive, um exercício curioso, tentar adivinhar a proveniência destes novos touguinhenses… Mas não só! Regista-se também alguma construção em altura, alguma com localização de virtude duvidosa… Em contraste, zonas como a Mata ou nas imediações da Igreja ainda mostram muitas habitações clássicas e um tipo de organização territorial típica de outros tempos, o que é de preservar. Também seria de preservar a capela de… hoje completamente em ruínas…
A freguesia tem uma enorme frente de rio mas, curiosamente e à semelhança de quase todas as freguesias em ambas as margens do Ave, vive de costas voltadas para o maior curso de água do nosso concelho. É certo que, hoje, viver com vista para um rio de água castanha não agradará a ninguém, mas no passado certamente que não era assim e já então ninguém teve semelhante intenção. Em compensação, houve quem quisesse ver Touguinha e arredores e construísse uma inusitada torre no meio da freguesia. E ainda lá está, imponente, certamente namorando com a antena de telemóvel colocada no centro da freguesia, quase em frente à Igreja. Modernices. De então e de agora.

Distância percorrida: 17,22 Km (Acumulado: 282,68 Kms)

Cães 1

São aos milhares. Pequenos, grandes, gordos, magros, agressivos, calmos, de raça, rafeiros, amarelos, pretos, castanhos, pintalgados, enfim, há cães de todas as cores e feitios espalhados por Vila do Conde. Rara é a casa que não tem cão e, muitas vezes, um só não chega e aparecem-nos em grupos de três e quatro. Sustos, como se imagina, já foram mais do que muitos. Como na foto, tirada em Arcos, em que os animais nos surgiram, de repente, por cima de uma garagem e desataram a ladrar desalmadamente.
(Queremos, ainda, desiludir os nossos adversários e descansar os nossos apoiantes: para já, ainda ninguém foi mordido...)

Cães 2




Se os cães são muitos e variados, o que dizer dos alertas que os prestimosos donos colocam nas suas casas?
Desde o meramente informativo (mas orgulhoso...) alerta de presença de «cão perigoso» até outros onde o sentido de humor marca presença, há um pouco de tudo.
Mas também é verdade que já vimos «alertas de cão perigoso» em casas sem qualquer canídeo e outros em que o cachorro não assustava ninguém. Cheira-me até que, alguns, acreditam que ter ou não cão é o mesmo e sempre fica muito mais barato comprar um azulejo e pô-lo à entrada da porta do que estar a alimentar um animal de vinte quilos... Guerra psicológica? Talvez...

sábado, 5 de setembro de 2009

Mindelo a «dar barraca»...

Visitámos Mindelo e não «o Mindelo» como muita gente insiste em errar. É este o preço de uma visibilidade inusitada, por via da construção turística que atraiu e atrai turistas e investidores dum raio de muitos quilómetros. Aliás, para sul, a mancha urbanística há muito invadiu Vila Chã, sendo indistinguível para «estrangeiros» a fronteira entre as freguesias.
Ao contrário de Árvore, com quem até partilha uma certa semelhança no tipo de desenvolvimento urbano, Mindelo pouco ultrapassa a EN 13, pelo que a zona mais agrícola, se estende até bem mais a sul, ultrapassando largamente a zona da Igreja. Curiosamente, para uma zona com tanta projecção turística, a falta de equipamentos adequados, incluindo comerciais, é notório. Repare-se que só em 2009 é que se construiu o primeiro parque de estacionamento condigno para os veraneantes!... Por outro lado, falta estruturar e reconverter toda a zona da costa, com equipamentos adequados, incluindo as básicas instalações sanitárias, para que realmente se possa falar de praias com qualidade.
E que dizer de uma freguesia com uma elevada taxa de cobrança de IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis, que tem situações dramáticas de falta de qualidade habitacional, como na Travessa do Carvalhal? Percebe-se porque é que não se fala dela: trata-se de uma zona escondida, onde se tem de aceder por uma longa rua estreita que nem a circulação de um automóvel permite, pelo que «longe da vista, longe do coração»… E sabemos nós de dezenas e dezenas de fracções vagas na habitação social!... O desprezo e a incúria reinam, mas parece haver disponibilidade e vontade para que se construam mamarrachos como o que fizeram na nobre zona em frente à Igreja. Enfim, incongruências de uma gestão «sem rei nem roque»… Pelo menos, tiveram uma honra: em 35 anos de poder socialista, foi aqui inaugurada a primeira piscina no concelho fora do perímetro urbano da cidade. Veremos a quem é que calha a sorte daqui a trinta e cinco anos…

Distância percorrida: 21,60 Kms (Acumulado: 265,46 Kms)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Friedland



Campainha de porta «Friedland». Não há rua que não tenha uma casa equipada com uma «Friedland». São aos milhares. Aliás, a visão de uma campainha desta marca já se tornou, para nós, em verdadeira obsessão. Há muitos modelos, muitas marcas, mas a «Friedland», com o modelo da foto, não dá qualquer hipótese.
Durante semanas, pensei que se tratava de um produto alemão. O Google veio dizer-me que, afinal, era inglês...
No catálogo desta sexagenária casa, já não consta este modelo clássico. Não faz mal. Quem o quiser ver, bastará vir a Vila do Conde, e escolher uma qualquer rua de uma qualquer freguesia. O mais difícil vai ser errar...

sábado, 29 de agosto de 2009

Vilar do Pinheiro e o drama da falta de habitação digna

A estação de caminho de ferro de Vilar do Pinheiro! Muito mais do que as camionetas do «Linhares», de «Parada» ou de «Viana» que paravam mesmo à minha porta, o que eu mais gostava, até ter carta, era de ir até à estação e apanhar o comboio. Quando andava nos primeiros anos da Universidade, tinha tudo cronometrado para apanhar o comboio das 7.20, que me permitia chegar folgadamente à aula das 8.30h. Levantava-me às 6.40 e tinha de estar a sair de casa exactamente às 7.00 para chegar à estação às 7.17h. Nunca perdi um comboio!
É claro que apanhei muitos sustos, como os cães em casa do Dr. Ramos que, por vezes, estavam soltos e obrigavam muita gente a refrear o passo… Ou aquele senhor alfaiate, que não me recorda o nome, que gostava de estar imóvel à janela, como se fosse manequim, para logo em seguida fazer um movimento brusco, assustando os transeuntes. Mas o comboio não era só para ir para os estudos. Servia para ir ver futebol ou cinema, ao Porto ou a Vila do Conde. É claro que em dia de jogar um grande ou em dias de corridas, era terrível entrar no comboio, que geralmente já vinha cheio…
Hoje, naquela estação já nãos e vendem aqueles bilhetes em cartão, as composições são modernas e já não passam, apenas, de hora a hora. E ainda bem que é assim, pois quando se muda para melhor, tudo está bem.
Coisa bem diferente e que me deixou bastante amargurado foi o estado de muita habitação na freguesia. Algumas que visitámos são verdadeiramente indignas de serem habitadas. A situação é dramática, como ilustra este episódio: em certa casa, uma senhora saudou a nossa presença para logo nos fazer um pedido. Julgávamos nós que seria mais uma questão pessoal, normalmente relacionada com a sua casa, a rua ou outro assunto próximo. Engano meu e engano nosso. A senhora, que por sua vez vivia numa habitação sofrível, pediu-nos que arranjasse uma casa - mas não para si. Ela queria uma casa para o vizinho, que, esse sim, vivia em condições miseráveis. Foi um gesto raro, que naturalmente nos tocou e que esteve presente durante todo o resto da visita. Até porque já tínhamos passado pela habitação social e contáramos 24 casas ainda vazias. Nem vale a pena comentar…

Distância percorrida: 17,44 km (Acumulado:243,86 Kms)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Guilhabreu...Vila do Conde ou Trofa?

De todas as freguesias até agora visitadas, Guilhabreu foi a que mais me surpreendeu pela negativa. Ruas esburacadas, outras por pavimentar, jardins públicos por tratar, enfim, um monumento à ineficiência da Junta de Freguesia. O relógio, por aqui, parece que parou há já alguns anos...
E, como se não bastasse, encontrámos, igualmente, sérios problemas de habitação social, como, por exemplo, no Alto da Francisca. Mas vimos mais, muitos mais. E, tal como noutras freguesias, também em Guilhabreu a habitação social está longe de ficar totalmente ocupada. Não se compreende esta inoperância e esta incapacidade de gerir o dossier «habitação social» por parte da Câmara de Vila do Conde… Talvez estejam à espera das eleições. Seria um péssimo sinal para os vilacondenses, mas uma excelente notícia para nós…
Curiosamente, ao lado de muita habitação sem condições, encontrámos, igualmente, excelentes moradias, algumas extraordinariamente bem recuperadas, em especial na zona do Batel – onde aproveitámos para dar uma vista de olhos à mega-exploração agrícola que é a «Casa do Teixeira do Batel».
Já na zona de Santa Eufémia, contactámos com a amargura de vários vilacondenses. Porquê? Porque estão em vias de deixar de o ser, passando a ser trofenses. Tudo porque há um diferendo entre os dois municípios sobre a linha de demarcação de ambos, o que leva a situações caricatas de pessoas que têm a casa registada na Conservatória do Registo Predial de um concelho e votam e pagam impostos no outro… Queixam-se que há dez anos que esperam uma resposta da Câmara de Vila do Conde. Respondi-lhes que, a continuar assim e tendo como referência o abastecimento de água, ainda teriam de esperar mais duas décadas...

Distância percorrida: 19,87 kms (Acumulado: 226,42 kms)

domingo, 23 de agosto de 2009

Seca criativa ataca Árvore

Imensa. A freguesia de Árvore é imensa. Com quase 10% da população do concelho, tivemos de lhe dedicar uma semana inteira, algo que nunca tínhamos feito, até porque nunca fora necessário. E, claro, no final da visita, na contabilidade da iniciativa «Vila do Conde a pé», o nosso conta-quilómetros apontava um número muito próximo dos 30 quilómetros, pulverizando o anterior recorde de 17,52km que ainda pertencia à já temporalmente longínqua visita à freguesia de Touguinhó.

Não é preciso ser perspicaz para perceber que a freguesia está claramente fracturada, com a linha divisória estabelecida na Nacional 13. Para nascente está a Árvore tradicional, de cariz rural e onde ainda é possível encontrar belas casas de quinta. Para poente, é a expansão urbanística, com todo o espaço preenchido por prédios e moradias. O crescimento poderia a deveria ter sido mais ordenado, mas agora é tarde para fazer o que quer que seja… Mas Areia tem, ainda, uma parte que recorda outros tempos, com casas baixas e alinhadas em compridas ruas. Por aqui ainda não chegou a febre de renovação, se bem que, aqui e ali, apareçam os habituais anacronismos estéticos… Esta é uma parte terrível para se fazer «porta-a-porta», fazendo ecoar as Caxinas. Aqui é porta-sim, porta-sim, e fica-se com a estranha sensação de que se fala com muita gente mas não se sai do mesmo sítio…

Próximo desta zona, para o lado de Mindelo, foram várias as pessoas de fora de Vila do Conde que nos abriram a porta e não quiseram que nos fôssemos antes de dizerem o que lhes ia na alma. Queixas disto e daquilo, a sensação de perda de alguma calma ao longo do tempo e lamento pelas condições de água e saneamento, foram muitos dos desabafos encontrados. Mas não deixa de ser curioso o enorme fosso que separa o discurso, sem medo, de quem é de fora, e as meias-palavras, sempre a medo, de quem é vilacondense. É lamentável, mas há, na nossa terra, «novos-salazaristas-ditos-de-esquerda» que rejubilam com este tipo de comportamento condicionado.
É, ainda, incompreensível, como é que uma mega-freguesia (a nível concelhio) não tem um parque desportivo, com campo de futebol e piscinas, para os seus mais de sete mil residentes e que serviria, igualmente, como fonte de receita adicional durante os meses de Verão. Custa-me perceber como é que se deixa chegar a esta situação, ainda para mais quando não se ouve ninguém a protestar, excepto a oposição, claro está. Há pelo menos oito anos que assisto às sessões da Assembleia Municipal, onde o actual Presidente da Junta, pessoa por quem tenho estima pessoal, tem igualmente assento por direito próprio. E nunca o vi ou ouvi reclamar o que lhe era devido, exigir o cumprimento de promessas eleitorais e de tudo aquilo a que Árvore tem direito. Afinal, estamos a falar de quase 10% da população do concelho!

Distância percorrida: 28,27 km (Acumulado: 206,55 Kms)

sábado, 15 de agosto de 2009

Fornelo, entre o rio e o monte

Com o Ave a seus pés e um dos pontos mais elevados do concelho, uma visita a Fornelo promete subidas e descidas com fartura. E foi após uma das mais íngremes que, olhando para trás, vi o mar. Era minha obrigação saber que, dali, seria impossível não o ver, mas não tinha racionalizado essa possibilidade. E ali fiquei, uns momentos, recuperando o fôlego da subida, deixando que os olhos viajassem por boa parte do concelho de Vila do Conde que se estendia à nossa frente.

Ali perto, numa garagem, qual filme de David Lynch, passeava uma iguana. Pelos vistos, a avestruz de Modivas não é o único exemplar de fauna estranha a viver em casas particulares…

Fornelo desenrola-se de forma curiosa, na sua maioria nas imediações de duas vias principais, a EN 104 e a Rua de S. Martinho. As vistas são, efectivamente, do melhor que Vila do Conde tem para oferecer. Recordo-me da visita a Vairão, em que por inúmeras vezes comentámos Fornelo, em especial a igreja, de azulejos azuis, que parecia vigiar-nos ao longe e toda a freguesia que se estendia na encosta do monte. Mas, como já disse, Fornelo também tem rio, o Ave, embora me pareça que a freguesia só se lembre dessa mais-valia quando circula em direcção à Trofa… Tal como noutras freguesias, a vantagem da presença do principal rio do concelho nunca foi devidamente pensada por quem tem obrigação de pensar Vila do Conde - excepto, talvez, como a de um esgoto útil…

Distância percorrida: 12,49 Kms (Acumulado: 178,78 Kms)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Gião e a Estátua da Liberdade


Foi logo no primeiro dia de visita a Gião. Depois de uma longa volta por Gião de Baixo, atravessando os omnipresentes campos de milho, eis que, no jardim de uma moradia, lá estava a «Liberdade Iluminando o Mundo», o nome completo da «Estátua da Liberdade». Ultrapassada a surpresa da visão, assaltou-me imediatamente a ideia de como era simbólica a sua presença, num concelho onde, não me canso de dizer, «o 25 de Abril ainda não chegou». Pudesse «Miss Liberty» falar sobre Vila do Conde e teria muito que contar, começando logo pela manipulação feita a muitos vilacondenses, agrilhoados a empregos de conveniência, presos a instituições umbilicalmente ligadas ao poder, limitados na sua informação por uma comunicação social à moda de Hugo Chavez…

Mas Gião teve muito mais para oferecer belas paisagens e gente muito simpática. Aliás, isso viu-se na visita que fizemos às casas do actual Presidente da Junta e do candidato da oposição às próximas eleições, onde fomos recebidos com toda a educação – o que só prova que, em certo saco, nem toda a farinha é igual…

A freguesia é, ainda, pródiga em belas casas de quinta, embora algumas estejam afectadas pelo mal que já registámos noutras paragens: o abandono. Certamente que haverá razões ponderosas para os seus donos não poderem recuperá-las, mas a verdade é que custa olhar para a imponência de certas casas e vê-las no estado de abandono em que se encontram, sem esquecer as dezenas de habitações comuns igualmente votadas ao ostracismo. Gião e Vila do Conde só tinham a ganhar com a sua recuperação. Cada vez mais se forma em mim a ideia de que é necessário elaborar um plano camarário para eliminar este problema.

Distância percorrida: 14,62 Kms (Acumulado: 166,29 Kms)